O filme Deserto Azul (2013) é uma aula de como fazer ficção científica no Brasil
Exibido apenas em mostras internacionais e festivais, Deserto Azul, dirigido por Eder Santos e lançado em 2013, é uma verdadeira aula de como fazer cinema de ficção científica no Brasil... E também de como ser um filme incompreensível pelo público geral que não consegue assistir filmes minimamente filosóficos e introspectivos sem haver uma explosão, cenas de luta ou sangrentas, palavrões e outras coisas presentes em blockbusters americanos ou de qualquer outro país, complementando os momentos mais filosóficos.
Esse filme não é nenhum Ghost in the Shell ou Blade Runner.
O filme não é ruim, nem bom, ele apenas é. E o que isso quer dizer? Nada e tudo ao mesmo tempo.
Da primeira vez que assisti eu o odiei profundamente, achava que era pura propaganda enviesada de outras tantas, feitas com o dinheiro público, pela elite artística para a elite artística, desprezando o cidadão médio e comum. Não é, pois é um filme independente, e ainda assim é complicadíssimo de se entender.
Deserto Azul é a coisa mais próxima que se tem de uma obra de ficção científica escrita por Paulo Coelho depois de assistir Ghost in the Shell e Serial Experiments Lain (não me perguntem o porquê) e decidisse aventurar-se pelo terreno marginalizado da ficção científica.
O básico de ficção científica o filme já tem:
O argumento científico e a busca filosófica, desde o começo nos é apresentado.
O resto... Aí já não sei direito.
O CGI é incrível para a época, antes de fazermos filmes como o recente Biônicos (2024), da Netflix.
O que Eder Santos mais pecou no filme foi em não tê-lo comercializável e de fácil acesso a todo o público, mas um filme puramente contemplativo e filosófico, com diálogos repetitivos que nada agregam ou só irritam o público que assiste, fazendo-o de idiota.
Esse não é o tipo de filme que você assiste num domingo, de noite, com a família toda no sofá da sala, na televisão, enquanto janta aquele churrasco.
Infelizmente são poucos os diretores que não querem fazer filmes de dramas sociais, favela, criminalidade e polícia, e fazer cinema de gênero pouco rendável no Brasil, e quando fazem, fazem com o intuito de agradar Lisa Simpson (vi num vídeo do YouTube que classificava o público brasileiro como Homer Simpson e Lisa Simpson — acho que o nome do canal e do apresentador eram Jurandir Gouveia —, e que nós fazemos mais filmes para Lisa Simpson e mais para Homer Simpson, no caso de filmes de comédia pastelão e sitcom e também os filmes mais cabeça, complexos até demais, e não juntar os dois, fazer filmes que agradem tanto Lisa quanto Homer Simpson).
O que é uma pena... Os filmes do Eder normalmente tentam serem mais profundos do que realmente são... E nenhum entretém.



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